Itens Avaliados na Vistoria Veicular: Checklist Completo

Realizar uma vistoria veicular é uma etapa essencial na compra, venda, transferência ou regularização de um veículo. Saber exatamente o que é verificado ajuda a evitar reprovações, garante a transparência do processo e protege você contra surpresas indesejadas. Neste guia completo, listamos todos os itens inspecionados em uma vistoria cautelar ou de transferência (ECV), com base nas resoluções do Contran e na experiência de mais de 10 anos da RR Vistoria Veicular. Prepare-se para a inspeção e entenda cada detalhe avaliado.

1. Identificação Veicular

A verificação começa pelos números de identificação do veículo, que são confrontados com os registros oficiais para garantir autenticidade. São conferidos:

  • Chassi (ou VIN): o número de 17 dígitos é verificado quanto à legibilidade, localização (em pelo menos três pontos, quando aplicável) e sinais de remarcação, raspagem ou adulteração. Um chassi duplicado ou irregular pode levar à apreensão do veículo.
  • Número do motor: deve coincidir exatamente com o que consta no documento. Qualquer divergência indica possível troca não comunicada ou irregularidade.
  • Placas de identificação: estado de conservação, presença e integridade dos lacres (selo de segurança), ausência de adulterações, parafusos originais.
  • Categoria, marca, modelo, ano de fabricação, ano modelo, cor conforme o Registro Nacional de Veículos Automotores (RENAVAM).
  • Número do RENAVAM (quando visível) e etiquetas adesivas de identificação.

Qualquer divergência nesses itens pode resultar em reprovação e abertura de boletim de ocorrência. Por isso, a vistoria é uma barreira contra a circulação de veículos com documentação irregular.

2. Estrutura e Lataria

A lataria é examinada minuciosamente em busca de:

  • Deformações e amassados que comprometam a segurança ou a estética.
  • Trincas e rachaduras na estrutura, especialmente em longarinas, painéis, assoalho e colunas (A, B, C).
  • Soldas irregulares, mal executadas ou ausentes, que podem indicar reparos em colisões graves.
  • Ferrugem excessiva ou corrosão que possa afetar a integridade estrutural do veículo.
  • Alinhamento de portas, capô, tampa do porta-malas e para-lamas – folgas assimétricas sugerem batida e reparo mal feito.
  • Verificação de massas e resinas (com uso de medidor de espessura) para detectar locais onde houve reparo com material de preenchimento.
  • Inspeção dos para-choques e laterais quanto a fissuras e montagem incorreta.

Danos estruturais podem comprometer a segurança em caso de nova colisão. A vistoria cautelar é especialmente importante para identificar esses problemas.

3. Pintura

O exame de pintura busca identificar sinais de repintura e adulterações:

  • Uniformidade da cor e do brilho originais. Diferenças visíveis indicam que a peça foi pintada novamente.
  • Medição da espessura da camada de tinta (com aparelho específico): valores muito altos indicam repintura; valores discrepantes entre painéis sugerem substituição.
  • Bolhas, descascados, riscos profundos e oxidação.
  • Tomografia da pintura (em cautelares) para comprovar a originalidade e detectar retoques que podem esconder danos estruturais.
  • Verificação de fitas adesivas e adesivos que possam ocultar defeitos.

Uma pintura original ou com repintura de qualidade é um forte indicativo de que o veículo não sofreu acidentes graves. Se você está comprando um veículo usado, a vistoria cautelar é essencial. Leia Como é feito o processo de vistoria cautelar para se informar melhor.

4. Vidros e Para-brisas

A visibilidade é fundamental para a segurança. São verificados:

  • Para-brisas: pontos de impacto, trincas, estilhaçamentos ou qualquer dano que prejudique a visibilidade do condutor. Trincas maiores que 10 cm ou na área central geralmente levam à reprovação.
  • Número de série do vidro (quando aplicável e exigido): confrontado com a base de dados para evitar uso de vidro de veículo roubado.
  • Vidros laterais e traseiro: funcionamento dos vidros elétricos (sobe/desce), estado dos reguladores.
  • Espelhos retrovisores internos e externos: condição, fixação e amplitude de visão.
  • Películas (insulfilm): verificação do percentual de transmissão luminosa, conforme legislação (geralmente 70% no para-brisas e laterais dianteiras, 28% nos demais).

5. Pneus e Rodas

A condição dos pneus é crucial para dirigibilidade e segurança:

  • Profundidade dos sulcos: o mínimo legal é 1,6 mm. O pneu possui indicadores de desgaste (TWI) que mostram quando está no limite.
  • Desgaste irregular: pode indicar problemas de alinhamento, balanceamento, suspensão ou calibragem inadequada.
  • Bolhas, cortes, deformações nos flancos e na banda de rodagem.
  • Pressão e estado do estepe (quando existente). O estepe deve estar em condições similares aos demais.
  • Rodas: rachaduras, amassados, trincas, desgaste excessivo nos cubos. Rodas de liga leve são inspecionadas quanto a corrosão.
  • Parafusos de fixação ausentes ou danificados.
  • Data de fabricação dos pneus (código DOT): pneus com mais de 5 anos de uso, mesmo com sulco, podem ser considerados inadequados por alguns órgãos.

Para evitar reprovação, acesse nossa página Dicas para passar na vistoria e prepare seu veículo.

6. Iluminação e Sinalização

Todos os dispositivos de iluminação são testados quanto ao funcionamento e estado de conservação:

  • Faróis dianteiros (baixo, alto, milha): funcionamento, alinhamento do facho (não ofuscar outros motoristas), lentes trincadas ou opacas.
  • Lanternas traseiras: posição, freio, ré, seta e luz de placa.
  • Luzes indicadoras de direção (setas) dianteiras, traseiras e laterais.
  • Luz de neblina dianteira e traseira (se equipado).
  • Luz de freio adicional (terceira luz de freio) obrigatória.
  • Lâmpadas queimadas, lentes trincadas, rachadas ou com oxidação.
  • Refletores e dispositivos retrorrefletivos.

Uma boa iluminação é indispensável para dirigir com segurança, principalmente à noite ou em condições adversas.

7. Equipamentos Obrigatórios

O veículo deve portar todos os equipamentos exigidos pelo Contran para circular. São verificados:

  • Macaco, triângulo de segurança e chave de roda – em bom estado e compatíveis com o veículo.
  • Extintor de incêndio – com selo do INMETRO, dentro do prazo de validade (verificado na gravação do cilindro) e tipo adequado (A, B, C ou ABC). A ausência ou vencimento é motivo de reprovação.
  • Cintos de segurança – em todos os assentos, com funcionamento correto da retração e trava.
  • Encosto de cabeça – em todos os bancos dianteiros, com altura regulável quando aplicável.
  • Buzina – funcionamento adequado.
  • Espelhos retrovisores – interno e externo (do lado esquerdo, pelo menos).
  • Para veículos fabricados a partir de 2014: luz de advertência de airbag e ABS no painel devem acender ao ligar e apagar após alguns segundos.
  • Para veículos com vidros elétricos: trava de segurança para crianças.

Separe também os Documentos necessários antes de agendar a vistoria.

8. Documentação e Histórico

A parte documental é tão importante quanto a inspeção física:

  • Verificação de débitos: IPVA, multas, licenciamento, DPVAT (quando aplicável).
  • Restrições judiciais e administrativas: furto/roubo, alienação fiduciária, leilão, bloqueio RENAJUD, restrições do DETRAN.
  • Histórico de sinistros: consulta a bases de dados (como SINISTRO, CNEN) para identificar se o veículo já foi envolvido em acidentes graves, enchente, incêndio.
  • Adulterações: números de chassi e motor são confrontados com os registros do banco de dados oficial (sistema do DETRAN).
  • Comprovação de propriedade e regularidade fiscal: o proprietário deve apresentar CRLV/CRV em nome correto, sem pendências.

Se sua vistoria é para contratar seguro, veja O que seguradoras verificam na vistoria.

Diferenças entre Vistoria Cautelar e Vistoria de Transferência (ECV)

É importante não confundir os dois tipos. A vistoria cautelar é mais aprofundada na parte estrutural e de histórico, sendo recomendada para compra de veículos usados — ela verifica itens como adulteração de chassi, sinistros, gravame, e faz tomografia de pintura. Já a vistoria de transferência (ECV) é obrigatória pelo DETRAN para transferir a propriedade; ela foca na identificação do veículo, equipamentos obrigatórios e licenciamento. A lista acima abrange os pontos comuns e principais de ambas, mas o nível de detalhe na cautelar é maior. Consulte nosso Guia da Vistoria Veicular para mais orientações.

Como se Preparar para a Vistoria

Antes de agendar, revise alguns pontos:

  • Lave o veículo — facilita a inspeção da pintura e lataria.
  • Verifique todos os itens de iluminação e substitua lâmpadas queimadas.
  • Confira o estado dos pneus e calibre-os.
  • Tenha em mãos os documentos (CRLV/CRV, comprovante de residência, etc.).
  • Certifique-se de que o extintor está dentro da validade e com selo.
  • Teste os vidros elétricos e trava central.

Para dicas mais detalhadas, acesse Dicas para passar na vistoria.

Perguntas Frequentes

O que é vistoria cautelar?

É uma inspeção detalhada que verifica se o veículo possui danos estruturais, sinistros, adulterações ou restrições. Ideal para quem vai comprar um veículo usado e quer segurança.

Quanto tempo leva a vistoria?

Geralmente entre 30 a 60 minutos, dependendo do tipo (cautelar é mais demorada) e do estado de conservação do veículo. Agende com a RR Vistoria e evite esperas.

Preciso lavar o carro antes da vistoria?

Sim, recomendamos que o veículo esteja limpo, especialmente por dentro, para facilitar a inspeção de pintura, lataria e componentes internos. Carro sujo pode esconder imperfeições e atrasar o processo.

O que acontece se algum item for reprovado?

O laudo apontará as não conformidades. Algumas podem ser regularizadas rapidamente (troca de lâmpada, extintor vencido), outras exigem reparo e nova vistoria. No caso de adulteração de chassi, o veículo pode ser apreendido.

A lista de itens é igual em todos os estados?

Há uma base nacional segundo resoluções do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), mas cada estado pode ter exigências complementares ou prazos diferentes. Consulte o site do Detran local para confirmar.

Qual a validade da vistoria?

A vistoria de transferência (ECV) tem validade de 30 dias corridos para transferência. Já a vistoria cautelar não tem prazo de validade fixo, mas recomenda-se realizá-la próximo à compra (até 90 dias).

O que é verificado no chassi exatamente?

O chassi é verificado quanto à legibilidade, presença de remarcações, raspagens, duplicidade, e se está em conformidade com o gravado em outros pontos do veículo (como no monobloco, vidros e etiquetas). É o principal item de identificação.

Posso passar na vistoria com pneu careca?

Não. Pneus com profundidade abaixo de 1,6 mm são motivo de reprovação por insegurança. Substitua antes de agendar.

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